COMPROMETER O FUTURO DO BENFICA
Penso que os Benfiquistas ainda não perceberam, na sua plenitude, as consequências futuras para o clube destas performances consecutivas na Liga dos Campeões.
Equipas que investem fortemente em jogadores, em estádios extraordinários, que atraem os melhores patrocinadores do mundo, que têm fãs em todos os continentes, que movem anualmente milhares de milhões de euros querem, obviamente, aumentar as suas receitas.
Equipas como o Real Madrid ou Barcelona, como a Juventus, como o Bayern de Munique, como o PSG ou um Manchester City precisam de aumentar o número de jogos competitivos, espectaculares e que, por consequência, tragam receitas ainda mais milionárias.
Quem não perceber isto, não percebe nada da indústria do futebol e não entende nada do que aí vem. E virá já em 2024 mais uma passo na separação entre os verdadeiramente grandes na Europa e um segundo pelotão.

Pela sua história, pelo seu nome, pela sua importância social num país como Portugal, o Benfica poderia, com toda a legitimidade, aspirar a ser incluído no grupo liderante, no grupo dos grandes, mas para isso teria de ser RELEVANTE em termos europeus, teria que ter resultados expressivos e vistosos na única prova que interessa: a Champions League.
Desenganem-se aqui aqueles que pensam que um bom desempenho ou mesmo até a conquista da Liga Europa são úteis para uma visibilidade europeia. Uma vez tive uma reunião com o Real Madrid e posso assegurar-vos que para os grandes só a Champions interessa. Tudo o resto é totalmente irrelevante.
Pois bem, pensar que se pode aceder a receitas estratosféricas que aí vêm sem investir é de um irrealismo confrangedor.
O Benfica teria que optar por um de 2 modelos: ou fazer jogadores para os outros ou assumir-se como um grande da Europa.
O Atlético de Madrid percebeu a tempo o que se passa e de um clube razoável, mas sem expressão europeia, tornou-se num gigante da Europa, num clube relevante, num clube que compra jogadores por 120 milhões. É certo que também os vende (mesmo que forçado a isso por lhe terem pago verdadeiramente uma cláusula de rescisão), mas não hesitou em reinvestir esse dinheiro.
Em Dezembro de 2018, apresentei um Programa de Governação para o Benfica em que, entre várias coisas propus: "Adicionar ao plantel pelo menos 3 jogadores de renome internacional que tragam valor acrescentado, que entusiasmem patrocinadores nacionais e internacionais e que mobilizem todos os sócios do Benfica. Este acréscimo de valor tornará o Benfica sempre o candidato mais forte a ganhar o campeonato nacional e dará reais probabilidades de chegar às fases decisivas da Liga dos Campões. Não basta dizer-se que se quer ser campeão europeu. É necessário ter uma estratégia e um rumo que permita alcançar esse desiderato."
Pois bem, num ano de vendas extraordinárias o Presidente do Benfica optou por ignorar este caminho. Investiu em jogadores desconhecidos tendo gasto em dois (RDT e Vinícius) quantias muito superiores àquelas que um verdadeiro negociador conseguiria pagar.
O Benfica aposta num modelo de uma fábrica de talentos (Seixal) e comprar jogadores sem relevância ora para pagar favores ora para os vender mais tarde.
O Benfica tornou-se num comprador e vendedor de jogadores, não se preocupando com a sua performance onde verdadeiramente importa: na Europa.
Este modelo vai satisfazendo os sócios enquanto formos ganhando internamente. Mas, o relógio está contra nós. No dia, não muito distante, quando formos colocados, escusadamente, num segundo pelotão europeu, sem acesso a receitas verdadeiramente milionárias, sem acesso a jogar contra as equipas que realmente importam, nesse dia os adeptos chorarão e perceberão a falta de visão de Luís Filipe Vieira.
Não tenho ilusões. Sei bem que este meu texto é perfeitamente inútil. Será motivo para, como tantas e tantas vezes, dizerem mal de mim, mas um dia, a realidade impor-se-á e dar-me-ão razão. Lamento dizer-vos: nessa altura será tarde demais.
Entre o modelo da fábrica de salsichas para alimentar os grandes e que gera comissões para distribuir por muitos (Paulo Gonçalves incluído) e um modelo que visasse fortalecer o Benfica desportivamente para que o nosso lugar seja indiscutível entre os grandes da Europa, Vieira optou, há muito, pelo primeiro. Dá muito mais dinheiro imediato que serve para tanta coisa. Serve para os amigos, para pagar casamentos, para pagar colégios, para o betão, para tudo isso. Só não serve para assegurar o futuro do Benfica. Só não serve para dar o futuro que o clube que eu amo merece.
Tenho pena, mas os Benfiquistas terão o futuro que estão agora a semear. Agora batem palmas e compactuam com tudo. Depois não terão moral para dizer nada.
Bruno Costa Carvalho
Nota:
Para quem não sabe, o Benfica já esteve em sete finais da Taça dos Campeões Europeus. Ganhou duas, Bicampeão Europeu (1960/61 e 61/62) e perdeu as restantes cinco: 62/63, 64/65, 67/68, 87/88 e 89/90.
Penso que os Benfiquistas ainda não perceberam, na sua plenitude, as consequências futuras para o clube destas performances consecutivas na Liga dos Campeões.
Equipas que investem fortemente em jogadores, em estádios extraordinários, que atraem os melhores patrocinadores do mundo, que têm fãs em todos os continentes, que movem anualmente milhares de milhões de euros querem, obviamente, aumentar as suas receitas.
Equipas como o Real Madrid ou Barcelona, como a Juventus, como o Bayern de Munique, como o PSG ou um Manchester City precisam de aumentar o número de jogos competitivos, espectaculares e que, por consequência, tragam receitas ainda mais milionárias.
Quem não perceber isto, não percebe nada da indústria do futebol e não entende nada do que aí vem. E virá já em 2024 mais uma passo na separação entre os verdadeiramente grandes na Europa e um segundo pelotão.
Pela sua história, pelo seu nome, pela sua importância social num país como Portugal, o Benfica poderia, com toda a legitimidade, aspirar a ser incluído no grupo liderante, no grupo dos grandes, mas para isso teria de ser RELEVANTE em termos europeus, teria que ter resultados expressivos e vistosos na única prova que interessa: a Champions League.
Desenganem-se aqui aqueles que pensam que um bom desempenho ou mesmo até a conquista da Liga Europa são úteis para uma visibilidade europeia. Uma vez tive uma reunião com o Real Madrid e posso assegurar-vos que para os grandes só a Champions interessa. Tudo o resto é totalmente irrelevante.
Pois bem, pensar que se pode aceder a receitas estratosféricas que aí vêm sem investir é de um irrealismo confrangedor.
O Benfica teria que optar por um de 2 modelos: ou fazer jogadores para os outros ou assumir-se como um grande da Europa.
O Atlético de Madrid percebeu a tempo o que se passa e de um clube razoável, mas sem expressão europeia, tornou-se num gigante da Europa, num clube relevante, num clube que compra jogadores por 120 milhões. É certo que também os vende (mesmo que forçado a isso por lhe terem pago verdadeiramente uma cláusula de rescisão), mas não hesitou em reinvestir esse dinheiro.
Em Dezembro de 2018, apresentei um Programa de Governação para o Benfica em que, entre várias coisas propus: "Adicionar ao plantel pelo menos 3 jogadores de renome internacional que tragam valor acrescentado, que entusiasmem patrocinadores nacionais e internacionais e que mobilizem todos os sócios do Benfica. Este acréscimo de valor tornará o Benfica sempre o candidato mais forte a ganhar o campeonato nacional e dará reais probabilidades de chegar às fases decisivas da Liga dos Campões. Não basta dizer-se que se quer ser campeão europeu. É necessário ter uma estratégia e um rumo que permita alcançar esse desiderato."
Pois bem, num ano de vendas extraordinárias o Presidente do Benfica optou por ignorar este caminho. Investiu em jogadores desconhecidos tendo gasto em dois (RDT e Vinícius) quantias muito superiores àquelas que um verdadeiro negociador conseguiria pagar.
O Benfica aposta num modelo de uma fábrica de talentos (Seixal) e comprar jogadores sem relevância ora para pagar favores ora para os vender mais tarde.
O Benfica tornou-se num comprador e vendedor de jogadores, não se preocupando com a sua performance onde verdadeiramente importa: na Europa.
Este modelo vai satisfazendo os sócios enquanto formos ganhando internamente. Mas, o relógio está contra nós. No dia, não muito distante, quando formos colocados, escusadamente, num segundo pelotão europeu, sem acesso a receitas verdadeiramente milionárias, sem acesso a jogar contra as equipas que realmente importam, nesse dia os adeptos chorarão e perceberão a falta de visão de Luís Filipe Vieira.
Não tenho ilusões. Sei bem que este meu texto é perfeitamente inútil. Será motivo para, como tantas e tantas vezes, dizerem mal de mim, mas um dia, a realidade impor-se-á e dar-me-ão razão. Lamento dizer-vos: nessa altura será tarde demais.
Entre o modelo da fábrica de salsichas para alimentar os grandes e que gera comissões para distribuir por muitos (Paulo Gonçalves incluído) e um modelo que visasse fortalecer o Benfica desportivamente para que o nosso lugar seja indiscutível entre os grandes da Europa, Vieira optou, há muito, pelo primeiro. Dá muito mais dinheiro imediato que serve para tanta coisa. Serve para os amigos, para pagar casamentos, para pagar colégios, para o betão, para tudo isso. Só não serve para assegurar o futuro do Benfica. Só não serve para dar o futuro que o clube que eu amo merece.
Tenho pena, mas os Benfiquistas terão o futuro que estão agora a semear. Agora batem palmas e compactuam com tudo. Depois não terão moral para dizer nada.
Bruno Costa Carvalho
Nota:
Para quem não sabe, o Benfica já esteve em sete finais da Taça dos Campeões Europeus. Ganhou duas, Bicampeão Europeu (1960/61 e 61/62) e perdeu as restantes cinco: 62/63, 64/65, 67/68, 87/88 e 89/90.
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