
O futebol anda a ser enganado por gente que não o merece. Ou se calhar o futebol é que alberga gente que não merece o futebol.
(...)
Infelizmente, desde que fomos bicampeões, as discussões não têm andado à volta do génio do Jonas, da deselegância real do Luisão, do futebol-música do mundo do Maxi Manu Chao Pereira, do pé feito mão do Gaitán, da locomotiva linda chamada Salvio, daquele cavalgar sertanejo do Lima, do Jardel em pose guerreira, da ancestralidade carioca do Júlio César, deste jeitinho bom dos passes em mozzarella do Pizzi, das bombas fleumáticas do Eliseu, dos poemas defensivo-homéricos do Samaris.
Só se fala em violência. Polícias a bater em adeptos. Adeptos a agredir polícias. Adeptos a roubar armazéns. Adeptos a bater em adeptos. Alguma coisa anda errada por aqui, enquanto políticos batem nos cidadãos não com bastões de aço mas com notas de euros. Com cartões multibanco com que expulsam as pessoas da sua decência. Vermelhos directos, suspensões, indemnizações contra a vida.
O futebol não é nada disto, deste lodo, deste pântano de seres saltitantes, nenúfar a nenúfar. O futebol começa num pontapé descalço, segue pelo campo com a bola em desvario, alguém a acolhe, leva com ternura, vai com destino, vai sem destino, há-de chegar a uma baliza linda em frente ao mar.
Ricardo Silveirinha
e os bimbos que um dia dizem uma coisa e no outro, dizem outra?
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